Igreja que inclui: como acolher crianças e jovens atípicos no caminho da fé

Um chamado à fé que acolhe: conheça como o Santuário Nossa Senhora Aparecida de Belém constrói uma Igreja inclusiva, onde cada criança e jovem encontra espaço, escuta e amor.

Receber com ternura, escutar com atenção e servir com alegria: é assim que construímos, dia após dia, uma comunidade que reflete o cuidado divino. Aqui Santuário Nossa Senhora Aparecida de Belém, acreditamos que cada pessoa merece ser acompanhada em sua jornada espiritual com respeito às suas singularidades.

Por isso, desenvolvemos práticas que favorecem o envolvimento coletivo, fortalecem vínculos e tornam nossos espaços mais sensíveis às diferentes realidades. Este é um convite para conhecer como vivemos essa missão e como você pode fazer parte dela.

Por que a inclusão é parte da missão da Igreja

Antes de tudo, precisamos reconhecer que a inclusão na igreja não é um favor — é missão. Como comunidade de fé, somos chamados a viver o Evangelho com autenticidade, acolhendo cada pessoa como imagem e semelhança de Deus.

Além disso, é importante lembrar que a inclusão na igreja é uma exigência do próprio Evangelho. Jesus sempre se aproximou dos marginalizados, dos doentes, das mulheres, das crianças e dos pecadores, mostrando que ninguém está fora do alcance do amor de Deus. Por isso, a Igreja, como Corpo de Cristo, é chamada a espelhar esse mesmo acolhimento. “A Igreja é chamada a ser casa com as portas abertas para todos, especialmente para os pobres, os doentes e os que vivem nas periferias existenciais.”

Por fim, a verdadeira inclusão na igreja é sinal de comunhão e testemunho de fé. Quando cada pessoa é acolhida e reconhecida, a comunidade se torna reflexo vivo do Reino de Deus. Assim, seguimos o ensinamento do Papa Francisco, que nos recorda: “Todas as religiões ensinam a verdade fundamental de que, como filhos do único Deus, devemos amar-nos e honrar-nos uns aos outros, respeitar a diversidade e as diferenças num espírito de fraternidade e inclusão.”​

Desafios das famílias com crianças e jovens atípicos

Em seguida, é essencial ouvir as famílias. Elas enfrentam desafios diários — desde a falta de acessibilidade física até a ausência de preparo pastoral para lidar com neurodivergências, deficiências ou comportamentos não convencionais. A exclusão pode ser sutil: um olhar de julgamento, uma catequese inflexível, uma missa sem adaptação. Como Igreja, precisamos ser mais do que espectadores. Precisamos ser presença, escuta e ação.

Além da escuta verdadeira, é necessário que haja gestos concretos de adaptação e presença. Dessa forma “oferecer somente o acesso dessas pessoas à Igreja não faz com que elas estejam incluídas; é preciso um trabalho conjunto que atenda suas necessidades”. Em outras palavras: não basta abrir portas físicas — é fundamental que a comunidade busque compreender e responder às necessidades específicas de cada família, promovendo uma inclusão na igreja efetiva.

Por fim, para caminhar nesse sentido, a Igreja precisa cultivar a hospitalidade como marca essencial da vida comunitária. O Papa Francisco já recordou que “onde há acolhimento, hospitalidade e abertura ao outro, respira-se o bom odor de Cristo”. Isso implica que, quando uma comunidade se dispõe a escutar e agir em favor dos mais vulneráveis — inclusive daqueles com neurodivergências ou deficiências — ela se torna mais coerente com o Evangelho e mais fiel à sua missão de ser presença misericordiosa no mundo.

Iniciativas do Santuário de Belém: acolhida, acessibilidade e apoio pastoral

No Santuário de Belém, a acolhida é vivida como expressão concreta da espiritualidade. Por meio da Guarda de Nossa Senhora Aparecida, garantimos que cada pessoa seja recebida com atenção, escuta e respeito. Esse primeiro contato é mais do que organização — é cuidado que transmite pertença e fé.

Além da acolhida física, oferecemos apoio espiritual contínuo. Através da escuta ativa, da oração e da presença pastoral, acompanhamos famílias em suas jornadas de fé. Nossa missão é garantir que ninguém caminhe sozinho, fortalecendo vínculos e promovendo uma Igreja que cuida, forma e transforma.

Logo, como recorda o Papa Francisco, “a Igreja é uma casa de acolhida, uma ‘família hospital’ em que todos têm capacidade porque suas portas estão abertas e, portanto, não é uma ‘seita exclusiva’.” Inspirados por essas palavras, buscamos ser uma comunidade que cura, integra e manifesta o rosto misericordioso de Cristo.

Testemunho: uma mãe tocada pela inclusão

Meu nome é Lilian Celeste. Sou mãe do Bruno Mateus e da Maria Luiza. E hoje, eu posso dizer com toda a certeza: foi através dos meus filhos que Deus me chamou de volta.

Sempre fui de família católica, e eu e meu esposo tínhamos uma caminhada bonita na fé. Cheguei a estar grávida no altar, com aquele barrigão, acompanhando missas.No entanto, nasceu o Mateus, e junto com ele, vieram alguns desafios.

Primeiro, veio o diagnóstico de TDAH. Depois, a hiperatividade, que foi crescendo e tornando quase impossível estar numa igreja. A gente tentava, claro, mas ele não parava quieto. Começou o constrangimento, as pessoas olhando, julgando… até que um dia, numa missa na Basílica, ele acabou parando tudo. Aquilo nos marcou profundamente. Consequentemente, a gente parou de ir. Foram anos aparecendo muito de vez em quando.

Felizmente, quando nos mudamos para Pedreira, algo começou a mudar. Eu já tinha aprendido algumas estratégias com o Mateus. E numa dessas idas, ele me disse: “Mãe, eu não tô aguentando.” Ele precisava se mover, se acalmar. Eu dizia: “Dá uma volta…” Acontece que, naquele dia, algo diferente aconteceu. Foi ele quem me puxou para dentro da igreja. Ele me levava à oração. Me chamava para rezar. Me puxava para voltar.

Então, com quase 7 anos, ele me disse: Mãe, eu quero ser coroinha.” Ele insistiu por um ano inteiro. E foi aí que eu entendi: não era o Mateus que estava me pedindo. Era Deus, me chamando através dele, porque Ele sabia o quanto eu sentia saudade da Eucaristia.

Até que um dia, passando em frente à igreja, eu encontrei o Gabriel, que coordena os coroinhas. Conversei com ele, cheia de receios: “Gabriel, ele é muito inquieto… ele é hiperativo, não para um segundo.” E a resposta dele me desmontou: “Ele é esperto. Ele vai conseguir. Com uma calma que acolhe, o Gabriel nos recebeu como somos.

E não é que deu certo? Hoje o Mateus já está há dois anos servindo no altar como coroinha. Por causa dele, eu voltei. Meu esposo voltou.E eu sei, está chegando a hora da Maria também. Ela ainda está em casa. Tem o diagnóstico de autismo, nível 1 de suporte. E, sim, ela parece até mais agitada que o Mateus. Contudo, eu sei que, assim como ele me levou de volta, ela também vai me guiar mais fundo. Porque se eu tenho uma missão nesta vida… é fazer a minha parte diante de Deus, com os filhos que Ele me confiou. E finalizo dizendo: Faz 2 anos que o Mateus é coroinha.

Caminhos práticos para envolver toda a comunidade

No Santuário de Belém, a inclusão na igreja é vivida como compromisso pastoral e espiritual que envolve toda a comunidade. Acreditamos que acolher é tornar visível o amor de Deus, e por isso promovemos ações concretas que integram fé, escuta e serviço. Sabemos que são necessários muitos passos e muito aprendizado, mas estamos sempre atentos para ser uma Igreja que inclui, escuta e transforma. Porque o caminho da fé é para todos — sem exceção.

Diante disso, é claro, a oração é parte fundamental desse caminho. Convidamos você a interceder conosco pelas famílias e por todos que precisam de força na caminhada. Acesse nosso pedido de oração e una-se a nós nessa corrente de fé.

Um convite à missão: venha fazer parte da Guarda de Nossa Senhora Aparecida (Pastoral da Acolhida)

Acolher é mais do que receber — é tornar-se sinal vivo do Evangelho. Na Casa da Mãe, cada gesto da Guarda de Nossa Senhora revela essa espiritualidade encarnada: escuta, presença e cuidado que transformam o espaço sagrado em lar para todos. Servir na Guarda de Nossa Senhora Aparecida é assumir esse chamado com coragem e fé.

Assim, ao integrar essa missão, você participa de uma Igreja que inclui, escuta e transforma. Acolher é também evangelizar, é abrir portas para que cada pessoa se sinta vista, amada e pertencente. É viver a comunhão como caminho concreto, onde a fé se expressa no serviço silencioso e na ternura dos encontros.

Para encerrar, se você sente o desejo de servir, venha caminhar conosco. A Guarda de Nossa Senhora Aparecida é lugar de formação, fraternidade e entrega. Porque o caminho da fé é para todos — sem exceção. E aqui, cada voluntário é parte essencial dessa missão que nasce do coração de Maria e se estende a cada devoto que chega.

Saiba como participar da pastoral da acolhida no Santuário

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